Histórias de eventualidades, improbabilidades, bicharadas, noitadas e coisas do arco da velha que de alguma forma me acabam sempre por acontecer. Crónicas diárias com a matilha, muita bicharada à mistura, muita música e sempre com um humor caústico como muita gente gosta de o caracterizar.

25/02/2008

A saída



Cá vai então o relato da segunda visita de campo Amphibio.Org.
Tudo começou numa chuvosa manhã de Inverno, quando nos encontrámos na Videla, que era o ponto de mais fácil referência para quem sai da A1, já que se pedisse aos anfibiófilos que se juntassem a mim no local de prospecção o mais provável seria que se perdessem nas intermináveis estradas labirínticas da Serra de Aire e Candeeiros. Assim carro a carro lá se ia formando o nosso pequeno mas rico grupo de garimpeiros do ouro caudata.



Um café depois e lá fomos nós a caminho daquela que seria a nossa residência por dois (húmidos) dias de herpetofilia excelentes. Depois de largarmos as bagagens de camaroeiro em riste lá fomos nós enfiar o nariz na nossa primeira poça. Aí encontrámos o nosso primeiro pygmaeus, a espécie que sem dúvida iria ser o rei da festa com a sua crista imponente e cores vivas. Depois de uma explicação breve e da sexagem do bicho, que no caso é extremamente fácil como quem conhece a espécie pygmaeus sabe, a segunda apanha foi uma larva de salamandra.



Estas sim eram omnipresentes em qualquer buraquito que tivesse água. Depois a apanha seguinte foi uma fêmea de Pleurodeles waltl, grande, gorda e velha. Já era o segundo ano que a encontrava naquele lugar, então foi como reencontrar uma velha amiga. Os rapazes e raparigas já que este era um grupo bastante heterogéneo, algo de estranhar no mundo da herpetofilia, quase tiveram uma síncope quando viram aquela beldade. Um animal lindo e enorme, com umas cores fenomenais e ainda com o tecido cicatrizado da úlcera com que a encontrei o ano passado. Todos adoraram a visita que aquela velha amiga nos fez.





Nesta poça estava também uma Natrix maura morta infelizmente com a barriga inchada, o que fazia crer que tinha tido mais olhos que barriga e morreu com o que quer que tenha comido.
A poça seguinta trouxe-nos uma outra rapariga, uma bela Pygmaeus fêmea com uns tons alaranjados lindíssimos e um verde vivo que proporcionou várias belas oportunidades fotográficas.



Agora vem o alivio cómico da história, a chuvinha foi uma constante ao longo de todo o passeio, portanto as pedras estavam mais que escorregadias. Assim enquanto andava de camaroeiro em riste o pessoal divertia-se a apontar a máquina fotográfica aqui ao guia a ver quando é que ele caía para dentro da pia. Mas é que chegavam ao cúmulo de com sorrisos escancarados dizerem entre si "É agora! Preparem as câmaras" e "À terceira é vez" e "É agora, é agora!" mas para sua infelicidade não foi. Se bem que mandei um tralho quando me puz a correr para atender o telemóvel. Mas aí não havia camâras preparadas, ou melhor haviam, mas estavam todas a apontar para o sítio errado. "Magoaste-te?" perguntaram, mas não, a única coisa que tinha saído ferido tinha sido o orgulho. Outras quedas houve, alguém que caiu de costas, outra que fez uma aterragem de nalgas ... mas tudo serviu para nos rirmos e passar um bom bocado. Mas voltando às poças.



A poça seguinte trazia um grupo de machos empoleirados nos bosques subaquáticos de Chara sp. a mostrar orgulhosamente a sua cauda e crista a qualquer fêmea que por lá passasse. Cada um era mais belo que o outro e deixava-nos de olhos em bico. Antes de almoço fomos ainda resgatar duas salamandras que se encontravam presas numa cisterna. Duas fêmeas que caíram lá para dentro para dar à luz e que não conseguíam sair. Claro que sendo nós os bons samaritanos, lá fomos salvar os animais de morte à fome não sem antes despejarmos as nossas câmeras fotográficas. Nós, é como quem diz, porque o serviço de camaroeiro não me deixava qualquer tempo para tirar fotos. Mas pronto, já estou habituado.





De seguida foi o almoço, sandochas para o pessoal e muita partilha de comidinha boa trazida de casa sempre acompanhada da nossa já fiel e constante chuvinha.
O passo seguinte foi a visita da casa aqui do mestre anfíbio (como alguém me tratou durante o percurso) se bem que com a chuva que caía já éramos todos um pouco anfíbios. Lá deu para ver alguma da minha bicharada e a confusão que reina suprema no meu pequeno reduto.
A próxima localidade a visitar foi a Fornêa, afinal nada melhor que uma caminhada de 6 quilómetros para ajudar a digestão.



Lá encontramos várias larvas de salamandra que já se tornariam inevitáveis durante todo o nosso percurso. Foi aqui que se deu o nosso primeiro precalço. A Búzio ficou sem óculos pelo que teve de abandonar a expedição com a respectiva família. Nós continuamos a nossa escalada. Algo que já tinha reparado é que o cansaço aproxima as pessoas e a escalada não foi nada meiga. Mas a vista lá de cima com o som da água a correr provou valer muito a pena.
Se seguida fomos prospeccionar o polje de Minde aqui viríamos a encontrar larvas de Pleurodeles e algo que nunca tinha encontrado antes, artêmia de água doce (Chirocephalus diaphanus) animais enormes com o seu saquito de ovos em plena época de reprodução algo que o grupo mesmo um pouco desfalcado adorou encontrar.



A esta hora já escurecia e o cansaço instalava-se. A chuva não dava tréguas pelo que o grupo decidiu dar o primeiro dia de expedição encerrado e voltar ao acantonamento, onde nos esperava água quentinha, roupa seca e o melhor uma lareira acessa que nos fez as delícias durante toda a noite, noite essa que se arrastou até a horas impróprias acompanhada de boa pizza, muita conversa, muitas risadas e muita boa companhia.
O segundo dia começou lentinho, com o gradual despertar dos membros da nossa expedição. Nesse dia viriam-se a juntar ao nosso grupo mais dois membros., que depois de algumas atribulações chegaram a bom porto. Este dia começou com a investigação da poças iniciais onde os nossos fiáveis pygmaeus se encontravam à nossa espera. Seguiu-se de uma bela almoçarada num restaurante da zona. Depois do farto almoço, seguiu-se a procura de Waltl, contudo nesta altura a chuva já tinha piorado e vinha acompanhada de trovoada, pelo que a única coisa encontrado foram ovos de waltl e uma bela molha. O encerramento da expedição deu-se em minha casa, com um belo de um ucal quentinho para todos para animar a malta e preparar a viagem de volta que para muitos iria ser bem longa.



Tenho a impressão que todos saíram satisfeitos. Desde já o meu obrigado a todos os que participaram. Sem vocês estes dois dias fantásticos não teriam sido possíveis. É sempre bom falarmos com pessoas que têm a mesma linguagem e que nutrem esta grande paixão pelo reino animal.
A todos um bem-haja!



Fotos: AlexMC
Todos os animais foram libertados onde foram encontrados.

24/02/2008

O cansaço


Instalou-se o cansaço, depois de dois dias em saída de campo Amphibio.Org cheguei a casa, tratei da bicharada e aterrei no sofá. Tinha frio, fome e sono.
Relato oficial com todos os pormenores sórdidos para amanhã.
A não perder, o musgo boscai, a salamandra marmoratus, o incrível equilibrista e as quedas mais fantásticas que qualquer coisa que tenham visto no "Isto só vídeo".
Agora vou dormir.

21/02/2008

O anfíbio


Este meu hobbie começou já à uns anos, aliás acho que já começou desde que sou pequenino e passava a vida com o nariz enfiado nas poças a brincar com os "peixes-sapos" (larvas de salamandra).
Depois com a idade veio o confirmar da paixão, com dois axolotls comprados na Zooexótico, que veio ainda mais exacerbar o bichinho que já cá morava. Seguiram-se vários outros, desde resgate de lojas (já que a maioria das lojas por aí não sabe cuidar de tritões), a ofertas de criadores.
Depois evoluiu para um sítio de internet onde os vários criadores de anfíbios se podiam juntar e confrontar experiências de manutenção e de reprodução.
Com o tempo veio a cruel realidade de que os anfíbios são os animais mais ameaçados à face da terra o que torna o nosso trabalho ainda mais importante já que a experiência de manutenção em cativeiro irá permitir que os mesmo princípios sejam aplicados a espécies com elevada necessidade de conservação. Vale a pena reafirmar que o meu site não permite a discussão sobre a manutenção de anfíbios autóctones em cativeiro para desta forma não incentivar a recolha de espécimes selvagens, o que sendo ilegal causa também muita pressão sobre as espécies.
Agora já vamos com 170 utilizadores registados e o site é uma referência na manutenção de anfíbios em Portugal e já com ligações muito interessantes por esse mundo fora, e post a post lá vamos mudando mentalidades.
E quem quiser pode sempre comprar uma t-shirt.




17/02/2008

A neve


"Não me importava de partir a cabeça outra vez se nevasse.", foi esta a frase que me levou a lembrar o nevão de 2006. Esta foi a história.
Tinha combinado com um amigo meu mostrar-lhe a serra. Ele tinha cá um outro amigo do Brasil que também estava interessado em conhecer a serra (este bocadinho de Portugal). O plano era fazer uma caminhada, escalar uns mega-lápiás e visitar umas pequenas cavernas. O meu afilhado sempre pronto para a aventura pendurou-se e veio também. Estava tudo a correr como planeado já com uns mega-lapiás escalados e algumas pequenas cavernas visitadas quando fomos para o algar (caverna vertical) que seria a última paragem.
Já íamos a entrar, quando disse ao miúdo para esperar para lhe iluminar o caminho e ajudar na descida, quando ouço um Plaff! seguido um Aiiii, viro-me para trás e vejo o puto estatelado no chão com a cara cheia de sangue. Bem, apanhei o cagaço da minha vida, mas depois de ver melhor vi que era apenas um corte se bem que algo profundo e ia precisar de alguns pontitos. Demos a nossa viagem por terminada e fomos levar o miúdo à mãe, para avisar que íamos com ele ao centro de saúde para levar uns pontitos. A ferida não era grande mas era um pouco fundo e para não ficar com uma cicatriz feia achamos que era o melhor.
"Olha, vamos levar o miúdo ao centro de saúde para levar uns pontitos", ao que ele grita "Não! Pontos não!". Lá lhe expliquei que eram pontos daqueles em penso sabendo perfeitamente que um puto reguila como ele tinha mesmo de levar dois ou três pontitos com linha. Com o miúdo um pouco contrariado lá fomos a caminho do centro de saúde. Claro está que cinco minutos depois já ia perfeitamente contente para mais uma aventura. Chegamos ao centro de saúde e entramos para ser vistos pelo médico, "Então, como foi que partiste a cabeça?" perguntou, ao que o miúdo respondeu "Estava a descer uma caverna, escorreguei e caí." o médico olhou para mim incrédulo e eu expliquei que andávamos na espeleologia, "E tu não tens medo?" perguntou o médico, ele com um sorriso escancarado "Eu não! Porque é que havia de ter medo", o médico riu-se e disse "Ah, mas como és reguila vais mesmo ter de levar uns pontitos" ele olhou para mim com cara de "bolas, agora não me posso escapar" e esboçou um sorriso amarelo. Nessa altura achei que era boa altura de o tranquilizar e disse "Não doí nada, o doutor vai por um spray e não sentes nada.".
Dois pontitos mais tarde e sem lágrimas à vista o médico disse "Vês, não doeu nada, agora é só por o spray para proteger e está pronto". Mas, o spray é doeu que se fartou. Nesta altura já com os olhos cheios de lágrimas, abraçou-se a mim e disse-lhe "Pronto, já passou. Como te portaste bem e não choraste amanhã vai nevar." O tempo ameaçava neve com a chuva e o frio que estava mas longe estava eu conhecer o resultado das minhas palavras proféticas.
Com esta história toda eram já 7 da tarde e tanto eu, como o miúdo, como os meus amigos estavam rotos de fome. Agarramos no carro e lá fomos nós a caminho da inevitável "Ti Maria dos Queijos", encher a pança. Meia dúzia de enchidos, entremeadas, muitos queijos e ainda mais bacalhau estávamos prontos para ir para casa. Chovia copiosamente e já era há muito noite. Despedimo-nos do pessoal e fomos até casa.
No dia seguinte (e segundo o relato dos pais) eram 7 da manhã de domingo com o miúdo aos pulos em volta da cama dos pais aos berros "Mãe! Mãe! Dá-me a roupa, o meu padrinho disse que ia nevar! Como eu não chorei vai nevar!", passados 15 minutos depois de muita insistência o pais lá levaram o o miúdo a espreitar à janela "Vês, é chuva, não é neve. Volta lá para a cama.". Nessa altura os pais já me rogavam pragas por os ter feito acordado tão cedo num domingo de manhã.
Eram 9 da manhã quando caem os primeiros flocos. A mãe que tomava o pequeno almoço a olhar para a janela começou a ver cair os primeiros flocos e deixou escapar um alto "Sacana e não é que está mesmo a nevar!", ao que se seguiu o um "Está a nevar? Está a nevar!". Nesse dia caiu o maior nevão dos últimos 10 anos e o primeiro que o meu afilhado viu. A parte da tarde foi passada com guerra de bolas de neve e bonecos de neve enormes e muitas fotografias à mistura. E esse foi o dia em que o padrinho fez nevar e se tornou o padrinho mais fixe à face da terra.
"Não me importava de partir a cabeça outra vez se nevasse." disse ele ontem, eu respondi conhecendo a minhas limitações "Não abuses da sorte!". Ficamos todos com um sorriso estúpido e a lembrar esse 29 de Janeiro de 2006.

12/02/2008

Culto dos 00

Devido ao pedido de muitas (pronto, algumas) famílias deixo aqui a música do vídeo "Free hug campaign".



Sigur Rós - Hoppípolla (que em islandês quer dizer "Saltando nas poças") do album Takk.
Boa música para uma tarde de verão depois de voltar da praia.

11/02/2008

O médico


Eu: Boa tarde.
Recepcionista: Boa tarde.
Eu: Tenho uma consulta.
Recepcionista: Aguarde um pouco se faz favor. O doutor está um pouco atrasado.
*espera*
*espera*
*espera*
*desespera*
*suspira*
*lê o Público*
*lê a T3*
*lê a Tv Guia de à um ano atrás*
*lê a Maria*
*lê o suplemento de TV do Correio da Manhã*
*suspira*
*suspira*
Recepcionista: O Sr. pode entrar.
Eu: Boa noite.
Médico: Boa noite. Tudo bem?
Eu: Sim. Obrigado.
*Médico olha para as ecografias e análises de sangue*
Médico: Vamos aumentar a dose. Para o ano volta cá outra vez para vermos quais os ajustes necessários.
Eu: Ok. Obrigado e boa noite.
Médico: Boa noite.
Recepcionista: São 75€.
Eu: *suspiro*

Aviso: Quaisquer as semelhanças com casos reais são meras coincidências.

Os abraços

Hoje fiquei agradavelmente surpreendido. Ia eu nas minhas calmas a descer a Avenida Heróis de Angola quando olho para o Teatro José Lúcio da Silva onde estava um rapaz com um cartaz "Abraços de Borla". Para quem não conhece, pode ver



e Free hugs campaign.
A história começou com Juan Mann que se estava a sentir em baixo e decidiu melhorar a vida de perfeitos estranhos dando-lhes um abraço. Se à primeira vista as pessoas estranhavam algum tempo depois já tinham entranhado e já andavam aos abraços uns aos outros. Contudo a polícia decidiu que aquilo era uma manifestação pública e como tal tinha de ser regido pela lei das manifestações públicas e tentou acabar com o "evento". Ao bom estilo português (embora não o fossem) revoltaram-se e fizeram uma petição para impedir a proibição das actividades "free hugs". Foram bem sucedidos mas não antes de se tornarem o foco da atenção da comunicação social.
Ora a iniciativa correu mundo e já começa a ser encontrada uma pouco por toda a parte. Senão vejam este exemplo aqui em Portugal no Porto,



E se um dia um desconhecido te oferecer Abraços, é a "Free Hugs campaign", a ideia mais original que já apareceu por aí nos últimos tempos! E hoje estava um rapaz a oferecer "Abraços de Borla" em Leiria.

09/02/2008

O pygmaeus


Finalmente mais um dia de ir para o mato. Com o solzinho destes nem apetecia ficar em casa e ainda bem. Armado de camaroeiro, caixinha para tirar fotografias (que aconteceu àquelas caixas tão catitas para telemóveis?) e máquina fotográfica e lá fui eu à procura dos Triturus pygmaeus deste ano. Infelizmente os gajos estavam à paisana e não foi possível encontrar muitos. Aliás só encontrei mesmo um macho em cores de reprodução mas com uma crista que ainda precisa de crescer um pouco para ficar em vestimenta completa de reprodução.
O resto do dia foi procurar cordyceps e escalar os mega-lapiás lá da zona, com um solzinho que já lembrava primavera. Tanto que até o nariz já estava convencido, pela quantidade de muco que saía das minhas fossas nasais. Cordyceps também não encontrei nenhuns. Hoje não andava com muita sorte, ou então não via nada com os olhos inchados das alergias. Para ajudar a cadela também anda a mudar o pêlo, assim são quantidades fenomenais de pêlo a voar pelos ares quais dentes de leão em dia de vento. Quando corria parecia a Maria von Trapp nos alpes tal era a profusão de pêlo pelo ar.
Amanhã, acho que vou passar o dia de molho. Com cházinho e bolachitas no sofá com o meu grande amigo Zirtec. E eu que não me apetecia nada ficar em casa. Com sorte isto passa ... Ou não ...

03/02/2008

Os sete palmos de terra



Aviso: Este vídeo são os últimos 10 minutos da série. Se ainda não viram e não quiserem estragar o final não vejam o vídeo.

Hoje fiquei por casa. Chovia bastante e não me apetecia fazer nenhum. Na tv a opção era ou Twitches (um duo de bruxas adolescentes de outra dimensão), ou The Fast and the Furious (carros, nitros, mais carros, ...). Como não estava muito virado para pre-teen flicks, nem para carros repeat ad nauseaum (se bem que a Michelle Rodriguez era bastante aliciante) pensei que era altura de por mãos à obra e ver a primeira season de "Six Feet Under".
Ora para quem não sabe esta é a minha série favorita. Como quando a apanhei na TV já ia na 2ª season acabei por nunca ter visto a primeira. Algo que foi remediado com um pulinho à FNAC. Mas como o tempo nunca é muito, a caixa ficou a apanhar pó a um canto, até hoje. A série Six Feet Under (Sete Palmos de Terra em Português) é uma série avassaladora que retrata o dia-a-dia de uma família que tem uma casa funerária e todos os episódios começam com uma morte que de certa forma irá dar o tom do resto do episódio. É longe de ser perfeita, mas a banda sonora é fenomenal, a interpretação fantástica e as personagens credíveis.
Quando meti o dvd no leitor e começaram a dar as primeiras imagens foi como se me tivesse a reencontrar com amigos que já não via à bastante tempo. É estúpido eu sei, mas realmente foi uma sensação mesmo muito estranha. Uma sensação de familiaridade bizarra.
Para além do mais esta série tem o melhor final que já alguma vez vi em televisão. Simplesmente brilhante. Se puderem, arranjem. Está disponível na Amazon.Co.Uk (a um preço fantástico a série completa) ou na FNAC ou *coff* *coff* na net *coff* *coff*

A loja


No sábado foi dia de reptile day na zooexotico. Para quem não sabe a zooexotico é uma das minhas lojas favoritas em Lisboa. Combina-se com alguns amigos, marca-se um almoço para por a conversa em dia e passamos o resto do tempo a falar sobre as cobras, os tritões e afins.
É muito bom encontrar esta de gente. Afinal não é com qualquer um que podemos discutir sobre as mais diversas culturas de insectos, o melhor meio, as que resultam melhor, ... É claro que posso falar sobre isto com qualquer pessoa, mas metade não entende puto do que estamos a dizer e a outra metade olha para nós como se devêssemos estar num hospital psiquiátrico.
Ali, estamos todos para o mesmo. Trocam-se culturas de arranque, comenta-se quais os métodos que resultam melhor, opina-se sobre os resultados de mais uma época de reprodução.
Em resumo foi um dia extremamente bem passado.

01/02/2008

31 today



A nova de Aimee Mann, 31 today.
Substituir 31 com a idade que vos aprouver.

30/01/2008

O título


Ontem um amigo meu alertou-me para uma notícia no Público. O título da notícia era "Conheça os 10 anfíbios mais estranhos (e nojentos) do mundo". Ora bem, não podiam escrever a mesma notícia sem mencionar "nojentos"? O artigo até já o conhecia porque era a tradução de outro que já se encontra online. E até achei muito bem a divulgação. Mas porque raio têm de usar estes epítetos infelizes.
Indignado escrevi o seguinte mail:

Exmo. Sr.,
é com um misto de contentamento e tristeza que vejo na edição do
Público de 30 de Janeiro de 2008 um artigo sobre os anfíbios em vias
de extinção.
Contentamento porque considero que estes animais não têm a atenção
devida, já 32% das espécies de anfíbios se encontram em vias de
extinção e têm muito menos divulgação que as aves (12% em vias de
extinção) ou os mamífero (23% em vias de extinção). Assim toda a
informação adicional que se possa passar para a população é
agradecida.
Agora, não entendo é o porquê de num artigo sério e de grande
importância seja necessário o uso de epítetos tais como "Nojentos".
Porque não "interessantes", ou "em perigo", ou "misteriosos". Presumo
que o objectivo seja a venda de um maior número de jornais apelando à
curiosidade que muita pessoas têm pelo bizarro e desconhecido, contudo
este tipo de ideias apenas serve para perpetuar o estereótipo errado
que muitas pessoas têm pelos anfíbios. Que são nojentos, que causam
verrugas e outro tipo de histórias da carochinha.
Em vez de chamar a atenção para a necessidade de preservação e
conservação destes animais que cada vez mais estão tão ameaçados pela
perda de habitats, por doenças e por alterações ao seu meio natural,
procura-se o choque fácil. Francamente não me parece um tipo de
jornalismo muito correcto e para mais um tipo de jornalismo que
esperasse de um jornal como o Público.
Assim, com votos que entendam o meu ponto de vista e que este tipo de
situações sejam evitadas no futuro, despeço-me,

Samuel da Costa
Amphibio.Org

29/01/2008

A lista


Coisas a fazer:
  • Piscar o olho a uma velhota;
  • Visitar a avó que fracturou a perna em dois lados;
  • Beber um oolong;
  • Experimentar as palhinhas com sabor;
  • Fazer sushi;
  • Fotografar os waltl e pygmaeus deste ano;
  • Gritar, "F$%&$%$%, C#%$&#$";
  • Correr atrás da minha cadela enquanto ela tenta comer as ovelhas do vizinho;
  • Organizar as fotografias;
  • Ver o "Little Miss Sunshine";
  • Dar uma prenda à minha afilhada;
  • Saltar à corda (tenho andado com vontade de fazer isto);
  • Levar os putos à Paiã;
  • Comer buchetes;
  • Apanhar uma bezana no Carnaval;
  • Voltar à Ti Maria dos Queijos;
  • Vestir a minha t-shirt nova do Amphibio.Org;

28/01/2008

Culto dos 00



Shakira - Pure Intuition
O raio da música não me dai do ouvido.
Ela é boa! Errr, a música claro, errrr.

27/01/2008

O padrinho


Vou ser padrinho. Hoje fizeram-me o convite oficial.
Ela chama-se Matilde Sofia e tem quase dois mesinhos. É uma miúda linda.
Escusado seja dizer que estou todo babado. O resto do fim de semana foi interessante. Com a assembleia geral na Associação Cultural e Recreativa "Pedras Soltas" com promessas muito interessantes de actividades para este ano.
No sábado aproveitei para ajudar os meus pais com os animais deles. Já há algum tempo que não fazia isto. Andar com uma manada de vacas atrás. Ah, a boa vida. E as barrosãs estão prenhes. Vêm aí vitelinhos. Foi um excelente fim de semana.
O próximo também promete com a "Passagem de Ano - Redux" e o Reptile day na zooexótico!
Vai ser bom.

23/01/2008

Culto dos 90



Today - Smashing Pumpkins

Mais uma memória dos meus teens. Muito bom.
Today is the greatest day I've ever known.
Can't live for tomorrow, tomorrow's much too long.
Aaaaah, bons tempos!

21/01/2008

O cordyceps - Parte II

Como prometido aqui ficam as fotos:

Vista geral

Hygrocybe aurantioviscida

Ramaria spp.

Mycena haematopus

Pulcherricium caeruleum

Gymnopilus spectabilis


Exidia saccharina

Fotógrafo: Rui Oliveira Costa A quem agradeço desde já a disponibilização das fotografias (e o dia bem passado).

20/01/2008

O cordyceps


Mais um fim de semana que passou e muito bem passado. Hoje foi aprofundar os meus conhecimentos de micologia. Micologia é uma área que já há muito me fascina mas sobre a qual ainda não adquiri os conhecimentos suficientes.
Nos últimos meses a conjuntura proporcionou-se a que tivesse umas aulinhas de micologia aplicada e melhor, tudo no meio quintal. Com esta brincadeirea toda acho que já consigo identificar distinguir uma Russula, de uma Ramaria, de um Lactarius. Não que seja difícil mas entendam que os únicos que conhecia o nome eram os Macrolepiotas e os Calvatia.
O domingo foi passado com excelente companhia nas matas da minha quinta embrenhados no meio da vegetação à cata dos tão preciosos cogumelos. E o tempo passou tão depressa que nem demos pela chegada da hora de almoço (excepto pelos nossos estômagos que já roncavam). Uma sandocha depois e lá estávamos nós outra vez embrenhados em mato à procura das riquezas(e segredos) micológicas da região.
Para mim o ponto alto do passeio foi o Cordyceps militaris, um fungo parasita que ataca as Processionárias do pinheiro e as destrói por dentro tendo depois uma frutificação muito interessante (como vêem não é só no tibete que há destas coisas)
Fica o retorno prometido, quando vierem mais chuvas.
Fotos para breve!

15/01/2008

Culto do 90



K's Choice - If you're not scared (Album: Cocoon Crash)
Um dos meus álbuns favoritos de sempre. Ideal para quando me dá uma crise de tétano (i.e. deitar-me na cama a olhar pró tecto e a fazer contas à vida). De som muito pop-rock e letras agri-doces que baste é um álbum que esconde a sua força debaixo de um som bubblegum cor de rosa. Altamente recomendado.

10/01/2008

Culto dos 80



Toy Dolls - Nellie, the Elephant

08/01/2008

Os lemmings

A patrulha das salamandras


Já se tornou quase tradição de fim de semana o resgate das salamandras. Ao sábado e aos domingos lá vou eu com os putos atrás e camaroeiro às costas bater as cisternas da região. As salamandras na procura de uma lugar com água para procriarem caem dentro destes poços e não conseguem sair, morrendo ou de fome ou afogadas na água das chuvas que se acumula. Os miúdos vão todos contentes (para variar) com o camaroeiro no ombro "salvar as samalandras" e uma a uma lá as içam do poço sombrio, guardando-as dentro de um pequeno balde. Depois uma a uma retiram-nas do pequeno balde e colocam-nas perto de um muro ou amontoado de pedras para elas se poderem esconder e fugir do sol que as resseca. Nesta altura as salamandras já de tanto stress começaram a libertar as suas toxinas (salamandarina) protectoras. Os miúdos já sabem que não podem levar as mãos à boca nem tocar nos lábios ou nos olhos. Lavam as mãos no balde já vazio de salamandras e cheio de água, agarram no camaroeiro e dizem "Para a semana temos de voltar senão morrem afogadas". No outro dia ouvi um deles dizer "Podemos levar uma?" ao que um dos outros respondeu "Não, senão para o ano queres brincar com elas e já cá não estão."
Com esta brincadeira toda já o miúdos aprenderam uma lição importante. Já sabem que as nossas salamandras são da espécie Salamandra salamandra gallaica e que é importante não as retirar do seu meio ou corremos o risco de não as mais encontrar. E isto tudo com brincadeiras inocentes. Fico com confiança no futuro e orgulho nos meus putos.
De seguida vamos para casa, comemos uns medronhos pelo caminho, apanhamos uns cogumelos para comer em casa (Macrolepiotas) e vamos reconfortar o estômago com um leite quente.

05/01/2008

O Favaios


Nem sei porque me preocupo em perguntar ... Todos os anos é a mesma coisa. Onde vamos passar a passagem de ano? Nazaré, Vieira, Mira, Leiria ... Não, é para a Paiã. Já não se considera se quer outra coisa. A passagem de ano é na Paiã com os tomates à lareira a assar chouriça e a empinar bejecas. O bilhete de entrada é sempre as garrafas de Favaios. É um pequeno preço de entrada para uma noite que sempre promete.
Durante o ano os Magníficos e Ca. andam pelo mundo com promessas de reencontro, mas aquela noite é nossa. A partir do momento que entramos àquela porta todos os anos desaparecem e voltamos às noites de universidade no sofá dos capuchos.
E que fazemos perguntam vocês? Bem, sentamo-nos de mãos dadas e fazemos uma corrente do amor ... É claro que não é isso que fazemos, passamos a noite a jogar ao "Cai a noite na aldeia", ao "Desconfia", e outros jogos que tais. É bom relembrar que já somos quase trintões e a maior parte de nós com canudo, mas pronto aquela noite é passada na simplicidade, com um copo de favaios na mão, um prato de pistácios e o Jenga a balouçar em cima da mesa.
À meia-noite corremos para o miradouro e vemos o fogo de artificio até onde a vista alcança (que naquele sítio vai quase até Lisboa). A noite só acaba de dia com o sol a despontar no meio do nevoeiro da serra. A cura para a ressaca é uma laranja ainda verdinha apanhada da árvore. Depois lá voltamos nós para as nossas vidinhas e aos nossos problemas, mas aquela noite foi nossa, numa casa no meio de lado nenhum, um copo de favaios na mão e rodeados dos melhores amigos que alguma vez poderíamos ter pedido.

30/12/2007

A resolução


Resolução de fim de ano: Deixar de fumar!
Nestes anos todos já se tornou tradição ter esta resolução. Até porque eu já deixei de fumar. Várias vezes...

28/12/2007

Culto dos 00



The Bell Orchestre
- Throw it on a fire

27/12/2007

A consoada


Irritam-me as pessoas que não gostam do Natal, que acham que é uma altura hipócrita, que é a época do consumismo, do egocentrismo, de gastar o que se tem e o que se não tem. Francamente não me considero a pessoa mais católica, não costumo ir à missa e não tenho muita pachorra para falsos moralismos cristãos, mas sinceramente gosto do Natal e acho que iria continuar a gostar ainda que fosse judeu, jeová ou muçulmano.
Senão vejamos, ainda que não concordemos com dar prendas e gastar um balúrdio em coisas fúteis é o dia da família e para passar com a família. Como pode haver alguma coisa errada com o dia das famílias e por famílias não sou tão tapado a pensar apenas nas famílias tradicionais. Hoje cada um de nós tem muitas famílias, a da escola, a de sangue, a do trabalho, os amigos, ... enfim há tantas famílias como há cores.
Este ano para não variar passei o Natal com a família de sangue. É bom sentarmo-nos todos à mesma mesa, rir juntos, comer o bom bacalhau, os sonhos (de certo que há aqui algum sentido metafórico que me escapa) e o belo do escangalhado juntos. E depois jogar uma bela sueca ou bisca de nove em redor da fogueira enquanto esperamos pela meia-noite acompanhados de chá de cidreira e muitos sonhos. E não é pelas prendas, desenganem-se. Nesta altura já foram entregues e desembrulhadas. Ficamos à espera do vento da meia-noite. Segundo reza a tradição do lado em que estiver o vento é o lado de onde irá soprar mais durante o ano que aí vem. É uma superstição ridícula como todas as boas superstições o são, mas é a nossa tradição. Algo que ansiava enquanto era pequenino mas que nunca conseguia cumprir porque o João Pestana teimava em pesar em cima das minhas pálpebras com o peso de uma noite cheia de brincadeiras. Agora é o pretexto para passarmos a noite juntos e em amena cavaqueira a ouvir o lume crepitar.
É claro que não sou hipócrita e entendo os argumentos de "porque é que não fazes isso durante o resto do ano?", fazer faço. Mas na noite de Natal tem um sabor especial. Não sei se é o ar cristalino da noite, se o cheiro das chaminés na aldeia, sei que é como as laranjas, que sabem sempre melhor se forem apanhadas da árvore e prontamente comidas.
Quanto às pessoas que acham que o Natal é consumismo absurdo e hipocrisia institucionalizada, se calhar não o estão a fazer como deve de ser.

23/12/2007

A árvore


Ontem estive de serviço na ACR (Associação Cultural e Recreativa). Para quem não sabe o que é, trata-se de um bar que costuma funcionar no clube desportivo lá da terra de forma a financiar as actividades "desportivas" da associação.
É uma coisa que me dá gozo fazer, trabalhar num bar ou no restaurante. Já quando andava na universidade e trabalhava aos fins de semana no restaurante de forma a arranjar mais um dinheirito para passar a semana mais folgada, gostava de trabalhar no restaurante.
Nunca percebi muito bem porquê, as pessoas não costumam ser muito simpáticas e estamos ali apenas a debitar bebidas e comida como se de uma máquina de vending se tratasse. Mas não sei, agradava-me a interacção com as pessoas. Isto tudo para dizer que trabalhar numa ACR é parecido, só que com mais bebedeiras e pessoal a avacalhar.
Então conversas de bebâdo são fantásticas. A de ontem foi um verdadeiro diamante. Alguém disse que tinha estado a cag*r atrás de uma àrvore, não me perguntem a que propósito já que só apanhei a conversa a meio (isto é um dos perigos de se trabalhar assim, corre-se o risco de se ouvir o que não se quer). Nisto pergunta o outro, "Fod****, como é que car**** sabes onde é a parte detrás da árvore?" ao que o primeiro responde "Duh, é onde estava a cag*r!". Nisto segui-se a discussão mais interessante que já ouvi sobre o conceito "atrás". Eles ficaram a discutir sobre horas. Bem quando os consegui por a andar e fechar o estaminé já eram três da manhã. Mas pronto, agora já sabia onde é a parte de trás de uma árvore. E se algum tiverem de o procurar, cuidado onde põem os pés.

A ti Maria dos Queijos


Usando como desculpa a vinda de uma amiga nossa de Taiwan, os Magníficos aproveitaram esta sexta à noite para lhe mostrar uma das tradições mais típicas de Portugal. A tasca! A tasca escolhida foi como não podia deixar de ser a nossa mui típica e com excelente comida Ti Maria dos Queijos. Para quem não conhece (e dificilmente conhecerá a menos que conheça alguém que também conheça) esta taberna fica no Livramento em Porto de Mós. Não é nada chique, como a maioria das tabernas não são. Mas a comida é maravilhosa e o ambiente fantástico. Para abrir como não pode deixar de ser, tem de ser o queijinho fresco com pão a fumegar de ter saído à pouco do forno a lenha. Isto tudo para nos preparar para o que vem a seguir!
A morcela, a entremeada, a chouriça, a farinheira, as febras, alheiras, o bacalhau assado com azeite e alho e o inevitável vinho sucedem-se de forma a deixar-nos bem cheios e satisfeitos.
É sempre bom quando os Magníficos se reúnem. As conversa corre e os temas voam. Este é mesmo aquele caso em que as conversa são como as cerejas, tanto falamos de inteligência artificial, como de roupa, como de cobras, como da "vidinha" (adoro esta palavra). E então quando se junta um belo tinto é um chorrilho de risadas.
Inevitavelmente a conversa acaba num bar qualquer agarrados a algumas loiras a contar as alegrias e as tristezas que passamos juntos e separados.
Agora, para a passagem de ano há mais!

22/12/2007

O Natal

Em jeito de boas festas aos fieis leitores (sim, vocês os 6 sabem quem são!) deste blog,



Happy SILENCE! night!

20/12/2007

O binóculo


Os fieis leitores deste blog já há muito conhecem a minha apreciação da cadeia de supermercados LIDL. Às vezes comento com os meus amigos que gosto bastante do LIDL, ao que eles respondem "Pois, acredito ..." e esperam por algum dito espirituoso que os ponha a rir. Mas não, a sério que gosto. As lasagnas de lá são deliciosas e de vez em quando têm semanas temáticas onde podemos comprar produtos muito difíceis de encontrar ou exageradamente caros (sim, foi lá que comprei o tahini).
Este Natal a prenda que decidi oferecer a mim próprio foi um telescópio pela modesta quantia de 80€. Dizem-me que foi dinheiro desperdiçado, e que não me vai servir de muito. Mas sejamos sinceros. Nem que sirva apenas uma vez já valeu a pena. Aliás já serviu enquanto enregelava os tomates na geada enquanto tentava ver Marte. Mas vi e consegui até ver as calotas polares. Além do mais têm de concordar comigo, um telescópio na sala dá um certo ar de intelectual ainda que provavelmente pouco sirva mais que para um cabide catita. Não que eu precise de ar intelectual, até porque muitos dos meus amigos já dizem que tenho q.b. ("Tens uma maneira esquisita de falar!"). Mas isto tudo para dizer que para a semana vou comprar um par de binóculos, e sim podem dizer que são rascas e afins. Mas não, são Bresser que para quem não sabe pertence à marca Meade, a conceituada de telescópios e para além disso têm prismas BAK-4. Assim se precisarem de um par de binóculos com uma fenomenal relação qualidade/preço, prismas BAK-4, ampliação de 10x50 para observação astronómica, da fauna ou mesmo do Nuno Gomes a marcar um golo no estádio da Luz (acreditem que é um fenómeno raro), podem desembolsar a fantástica quantia de 19,90€ e partir para casa com uma par de olhos novos.

19/12/2007

O frio


Segunda-feira recebi mais uma prendinha de Natal, desta vez foram os senhores da GNR que me ofereceram um papelinho verde no valor de 120€. São realmente simpáticos.
Ia eu na minha vidinha para variar numa segunda-feira de manhã (e depois admiram-se da minha aversão às 2ªs de manhã) quando o senhor me manda encostar à box. "Os papeis da viatura se faz favor", depois de lhos ter entregue disse-me "Sabe, ia em excesso de velocidade" ao que respondi "É provável". "Vai ter de pagar já a multa para não ficar com os documentos apreendidos" eu acedi e saí do calor da minha "chauffage" para o frio.
Enquanto senhor guarda preenchia os meus dados desabafou "Sabe eu também preferia não estar aqui", ao que eu respondi "Pois, está frio!". Ele olhou e disse "Não, não é por isso." ao que me calei para não fazer mais figura de parvo arrogante.
Para ajudar e para ajudar a situação, o MB não funcionava então tive de ir a cascos de rolha levantar dinheiro para pagar a multa.
Depois de pagar e de chegar atrasado pelo menos uma hora lá dei início a mais uma semana de trabalho.

16/12/2007

A cobra


No fim de semana foi data de exposalão. E lá estive com as cobras a mão a tirar preconceitos da cabeça das pessoas. Isto é das que não fugiam e se estatelavam contra os transeuntes incautos. Até pessoal de cadeira de rodas fugia de mim e das minhas cobras ... Mas se queremos ser surpreendidos pela humanidade é ter uma cobra na mão. Obtemos as reacções mais diferentes. Desde os gritinhos histéricos, até aos "ai que linda", as reações são as mais diversas. Mas de vez em quando aparece alguém que nos surpreende, ou porque esperávamos que aceitasse bem a cobra ou que pelo contrário foge de nós como o diabo da cruz.
Ontem na exposalão, lá estava com um magote de pessoas à minha volta, quando de entre a multidão vejo dois olhos a brilhar, aproximo-se quando reparo num rapaz mais alto que eu com sérias dificuldades em movimentar-se e ainda mais a falar. Mas o sorriso e o brilho dos olhos era evidente. Olhava para a cobra como quem via um pequeno tesouro, perguntei-lhe se lhe queria pegar e ele a muito custo sussurrou que sim. Vinha acompanhado pelo pai que o apoiava e ajudava a movimentar-se e, imagino, que também pela madrasta, uma senhora brasileira que ia tirando fotografias.
A descoordenação das suas mãos tornava um pouco difícil a acompanhar os movimentos
lentos da cobra mas com a ajuda do pai lá ia conseguindo. Ele continuava completamente maravilhado com a cobra, quando o pai lhe disse "Filho, quando ficares bom, vais ter também uma cobra assim", se já estava comovido, pior fiquei, a minha garganta enrolou-se, deu um nó e os olhos incharam. O pai perguntou-me de onde era originária, eu abri a boca e saiu silêncio, tossi, ajeitei a garganta e lá lhes expliquei que vinham da América do norte. Continuamos na conversa por bem mais dez minutos, em que o pai juntamente com o filho me iam contando as suas peripécias com cobras encontradas no campo e que o filho adorava estes pequenos animais.
Entretanto mais pessoas se iam juntando à nossa volta, e a conversa já se tornava difícil com tantas pessoas a fazerem perguntas e a quererem tocar na cobra, assim eles agradeceram e seguiram o caminho, já iam quase no final do stand quando me lembrei da pequena crimson que lá tinha e que ele ia gostar de a conhecer, gritei de longe se queria ver uma pequena cria. Os olhos dele voltaram-se a encher de luz e o pai disse que sim que gostariam muito. Tirei a pequena do terrário que se enrolou numa espiral na mão em berço dele. Mais umas perguntas e respostas depois o pai agradeceu muito a oportunidade elogiou a nossa iniciativa. Agradeci e desejei umas boas festas e vi-os partir.
Fiquei a pensar, nos bichos "peçonhentos, nojentos e viscosos" que tinha dentro do terrário, e na alegria que tinham dado àquela família e voltei para o meio da multidão com entusiasmo redobrado.

11/12/2007

A atirada


Hoje estava no café e pedir o pastel de nata do costume com a televisão sintonizada no Natal dos Hospitais onde estava um clone do Michael Carreira a cantar quando ouço um "Eh pá, é mesmo bom. Para mim era a estrear!", ainda me lembrei se seria algum homem das obras e eu tinha ouvido o género dos adjectivos mal, mas não era mesmo uma mulher. Ela lá continuou com os seus piropos "Chamava-lhe um figo", "Tem um cuzinho!". Ao que as amigas concordavam e mandavam galhardetes semelhantes.
Mas onde é que este mundo vai parar? A seguir vamos ter mulheres penduradas em andaimes e a dizer "Lambia-te todo!" e "Oh filho, o teu pai deve ser engenheiro". E depois? Começam a deixar crescer crescer a barriga, encostam-se ao balcão, ajeitam um fio dental entre as pernas e dizem "Oh chefe, uma imperial e um pires de tremoços!" ? O futebol já não é nosso, senão experimentem estar a ver um jogo no café e a ouvir "O Figo tem umas pernas ui ui" e um "O Nuno Gomes é mesmo bom!" é que tira a concentração toda a um gajo. Ainda se fossem "Oh paspalho vai pra casa" ou um "O Liedson não joga um car****". Enfim, falam na guerra dos sexos mas ninguém fala da invasão ...

10/12/2007

A melga


É normal eu ter melgas no quarto em Dezembro?! Dasse!

O terrorista


Este fim de semana foi um sem grandes eventos, que depois da confusão da exposição do último e da correria que vai ser o próximo (com a Aquadecor) esforcei-me ao máximo para não fazer nenhum ...
Normalmente estes tipos de planos não me correm nada bem e há sempre uma carrada de coisas para fazer. Assim comecei por ir à minha quinta onde esperava encontrar mais um fardo de palha suficiente para alimentar os cavalos todos do Ribeiro Teles enfiado na chaminé. Depois de muitos nomes chamados à p*** dos pássaros enquanto removia a tampa da chaminé qual não foi o meu espanto quando a encontrei limpinha! Aliás tinha um pequeno ninho metido no pescoço da chaminé, mas que foi facilmente removido. Aproveitei já que lá estava para por o meu guia recém chegado da Amazon em uso e ainda deu para identificar alguns cogumelos. O ponto alto da identificação foi o Calvatia gigantea encontrado com um diâmetro de 50 cms(!). Agora sabe-se lá quando vai ser a próxima sessão de identificação.
No sábado à noite foi uma ida até ao café para pôr a conversa em dia. Mandaram-me ainda o seguinte vídeo que está fenomenal! Senão vejam:



No domingo foi levar a Lobita ao veterinário. Eu preocupado que a cadela estava com um surto de fungos e que ia contagiar o resto da ninhada, quando afinal não passava de acne! Acne, por amor de deus, quem é que adivinhava que cães ganham acne.
À tarde foi comprar roupa, eu odeio comprar roupa, e não digo isto de ânimo leve ... É mesmo um ódio profundo, o provar, o ver se fica bem, o "este fica-lhe melhor", ganho suores frios e só me apetece fugir dali pra fora. Ainda mais em véspera das festa. E depois parece-me sempre dinheiro mal gasto, porque raio é que não posso andar sempre vestido de sweats e calças de fato treino?!? Também não estou a falar dos fatos de treinos rosa choque, mas aqueles que mais parecem pijamas e nem reparamos que já estamos vestidos. Depois de largar a notita da praxe lá vim eu pra casa, com um fim de semana já passado. Da ida ao centro comercial safaram-se as velhoses e o escangalhado que comprei na padaria do rés-do-chão que comi em casa. Mais bem empregues foram os 10€ nestas gulodices que a porra dos 200€ em roupa!

07/12/2007

A cobra

Não consegui resistir e fiz uma compra inesperada na AVISAN, para além da programada.

Lampropeltis alterna

A minha:




Como vai ficar em adulta:



A desejada e encomendada Lampropeltis getula holbrooki,

A minha:


Como vai ficar em adulta:




A exposição correu bastante bem, tirando alguns stresses do costume, mas o melhor foi mesmo o convívio. Teve de tudo, desde os interessados aos que fugiam a sete pés. E umas sandochas de leitão que não vos digo nada. Se passarem pelo CNEMA peçam a sandes de leitão. Vale a pena, oh se vale.
De resto era a malta do costume, galinhas, patos, porcos da índia, o Pantanal, ... E não teve muita afluência, ser dia de caça e jogar o glorioso no sábado à noite acredito que não tenha ajudado mesmo nada. Mas foi engraçado.

P.S.- Falta a orquídea e o micro-ondas...

06/12/2007

Day too soon

Aqui fica uma amostra do que virá em 2008 no novo álbum de Sia, Some People Have Real Problems.



Sia - Day too soon

29/11/2007

Hinos de Natal

Não sou grande fã de Enya, Divinus e afins. Antes pelo contrário. Mas esta cachopa tem uma voz muito engraçada e a música é muito audível.
Ou então é o meu espírito de Natal a apitar. Nesta data fico sempre lamechas.



Hayley Westenra - Shenandoah

27/11/2007

O teso


Este Natal estou em contenção de custos. As prendas vão ser simbólicas. Todos os Natais digo isto e todos os Natais me corre ao contrário. Mas estou convencido que este ano vou conseguir o objectivo. Já comecei a fazer as compras e este ano virei-me para a internet. A minha primeira compra foi dois posteres que mandei fazer na snapfish que ficaram na quantida de 19,90€ mais portes. Meter moldura fica fora do orçamento. Agora falta comprar a Orquídea, o cachimbo, os chocolates e o micro-ondas!

A maçã


Quem me conhece sabe que tenho uma preferência pelo Outono. Gosto do tempo, das noites límpidas, das castanhas assadas, dos cogumelos, da antecipação do Natal. Enfim, gosto do Outono. Uma das coisas que mais gosto no Outono é as frutas, as uvas moscatel, os dióspiros, os frutos secos e as maçãs bravo de esmolfe.
Ai as esmolfe, um dia cheguei a casa da minha mãe com um saco delas e ela virou-se para mim com espanto "Maçãs, tu nem ligas nada a maçãs!" e lá comecei eu com a minha pinta de vendedor "Sabes, estas não são maçãs quaisquer, são esmolfes. São as melhores maçãs do mundo. Tão boas que quando chega ao caroço até o chupas para sorver as últimas gotas de sumo." Ela olhou para mim com cara de quem estava a ler o folheto do Lidl e comeu uma. No final disse-me, "Realmente são deliciosas" ao que eu acenei mordiscando os últimos pedaços da maçã e rematou "Antes todas as maçãs sabiam assim". Eu calei-me e fiquei a pensar no que ela me tinha dito e que tinha passado a minha vida a comer maçãs de plástico.

25/11/2007

Queca


Mas alguém me explica qual é a piada de mandar uma queca, no meio de um descampado, onde de certo vão passar pessoas e com uma temperatura de 7º?
E depois ainda se queixam que a pedra onde se sentaram (sem vestimentas inferiores) estava fria!
E lá tive eu de esperar que os meninos se pusessem decentes para poder seguir caminho. O Filipe é que achou um piadão (puto de 8 anos).

13/11/2007

Fim de Semana Cultural (a conclusão)


E quase 15 dias depois lá arranjo tempo para actualizar o meu blog. Então vamos por partes. Sexta-feira, foi um vê se te avias com o colóquio e aqui o vosso conhecido como moderador que para além de não conhecer nenhum moderador nem estar minimamente dentro do trabalho desenvolvido por cada um ainda cometeu o maior erro que um moderador/orador poderia alguma vez cometer. Sim, aqui o vosso conhecido não foi ao WC antes de começar o debate. Passadas duas horas de debate a minha bexiga já estava cheia como uma toranja e prestes a rebentar, quando dei por mim estava de perna cruzada a orar para não haver mais intervenções. A vontade era tanta que já suava com as dores. No final do colóquio passei a intervenção para a nossa estimada presidente fazer a despedida e fugi em passo apressado para a casa de banho mais próxima. Acho que nunca tinha vertido tanto líquido!
Mas tirando esse pequeno pormenor acho que o colóquio correu bem, sendo a conclusão a tirar que as potencialidades são enormes mas que a divulgação é nula ou quase nula e que os entraves e burocracias para a realização destas actividades são bastantes. Passo seguinte, juntar uma mesa redonda para escolher a estratégia de divulgação, já que as entidades sociais não se mostraram muito disponíveis para concertar uma estratégia entre elas.
No dia seguinte foi o torneio de paintball, esse correu às mil maravilhas. Embora não tenha jogado por ter sido árbitro ainda deu para me rir um bocado. E vá lá, não andaram a fazer pontaria ao árbitro. Aí iam haver mortos e não estou a falar apenas a contar para a pontuação. Depois foi correr, tomar banho e ir para o casamento. Escusado seja dizer que cheguei duas horas atrasado! Ainda para mais tirando o meu grupo de amigos, não conhecia ninguém e ainda tive de ligar para saber se estava no sítio certo. Ainda estava de pé atrás, conhecida a minha aversão a casamentos, mas foi uma tarde/noite impecável. Por a conversa em dia, favaios com fartura, e empanturrar-me de comidinha até às orelhas. Ah e a decoração (japonesa) do casamento estava fenomenal e o sítio era bastante agradável.



Mariza - Chuva

No domingo já me arrastava por todo o lado, entre a noite de fados e a exposição. A exposição correu bastante bem, com alguns dos nosso "sócios" a visitar o stand dos Pedras Soltas e trazerem umas prendinhas. Umas fotos das actividades, umas canecas das Caldas, gostei bastante da surpresa e de os receber. Á noite veio a parte pior, a noite de fados que por pouco não ficou estragada. Tenho de dar a mão à palmatória, a Marlene Vieira e as cordas estiveram excelentes, mas a atitude de diva dos cordas e dos outros dois vocalistas é que até hoje ainda me está atravessado na garganta. Será que estas figuras que trazem o rei na barriga não tomam tino?
Mas pronto, foi um fim de semana atribulado mas muito bom, correu (quase) tudo bem e quando cheguei à cama estava tão cansado que nem consegui dormir.

01/11/2007

Tou nervoso


Amanhã é a conferência e eu que não gosto nada de protagonismos sou o moderador. A ver vamos como corre ...
Tem sido uma correria entre fim de semana cultural, a conferência e o paintball. Amanhã começa a loucura. Conferência na sexta, paintball no Sábado com corrida de seguida para o casamento de um amigo seguido passeio todo-terreno no Domingo e o resto do fim de semana cultural. Dizem que estive de férias esta semana. A mim não me pareceu nada, férias tinha sido ir fazer rafting no rio Minho e ficar lá o resto do fim de semana. Isso sim!