Histórias de eventualidades, improbabilidades, bicharadas, noitadas e coisas do arco da velha que de alguma forma me acabam sempre por acontecer. Crónicas diárias com a matilha, muita bicharada à mistura, muita música e sempre com um humor caústico como muita gente gosta de o caracterizar.

31/01/2009

O enxoval


Ainda mal estavam os meus pés a sair do útero da minha mãe já as mulheres da minha família andavam todas entretidas a montar o enxoval para o meu casamento (não, não estou a brincar, é mesmo a sério). Para quem não sabe o enxoval é a versão portuguesa do dote. É hábito aqui nesta terra perdida no meio de nada e ao pé de tudo no dia do casamento abrir a casa dos noivos para que todas as cuscas da vizinhança possam comentar nos infinitos naperons, mantas, bordadas, electrodomésticos e outras futilidades.
Ora enquanto outras crianças se queixavam no Natal de receberem meias, camisolas e pijamas a minha maldição era o enxoval. "Oh, wow, uma frigideira, era mesmo o que estava a precisar", principalmente quando se tem 10 anos e os nossos dotes culinários se resumem a um copo de leite com chocolate, "É para o teu enxoval!" resposta de se ia multiplicando através dos tempos.
Ora, como podem imaginar não tenho exactamente 15 anos, então o meu enxoval consiste num verdadeiro registo arqueológico da moda das ultimas três décadas. Nunca prestei muita atenção ao enxoval. É como um sinal na pele que só se nota quando começa a crescer demais. Hoje no entanto tive um verdadeiro acordar para a realidade. Passo eu pelo De Borla, uma grande superfície de brique-á-braques, o LIDL da casa moderna (o IKEA é praí o Pingo Doce) para me abastecer de tupperwares para por a tralha que se vai acumulando, quando noto que estavam em promoção os artigos para a casa. Ora como qualquer planeador de uma mudança, comecei a abastacer de utilidades para a casa. Lençóis, cobertores, um puff e mais umas merditas. Estava eu na linha da caixa quando uma rapariga me pergunta onde comprei eu o edredon cor de laranja, indico para o corredor onde o tinha encontrado e penso para comigo que comprar estas coisas não é tão difícil como parece. Estava-me reservado um cruel acordar.
Chego a casa prestes a arrumar a tralha quando a minha mãe me olha com um olha misto de surpresa e de terror, "Que é isso?" pergunta, ao que respondo na minha inocência que eram umas coisitas para a casa. Aí o olhar de curiosidade passou para um olhar de terror. Foi nessa altura que o enxoval voltou das profundezas para me assombrar como tinha feito durante grande parte da minha juventude. Foi nesse momento que me apercebi da verdadeira dimensão que o monstro tinha adquirido, ele eram almofadas, conjuntos de banho, lençóis, bordados, naperons, toalhas de mesa, tralha de cozinha (bem esse ainda escapa) e quase tudo o que se possa imaginar.
Não me levem a mal, ou me tomem por mal agradecido. Eu gosto de ter algumas coisas já compradas, vai-me poupar muito dinheiro, mas a maioria da tralha é extremamente inútil e efeminada! Para que raio preciso eu de uma dúzia de naperons, ou de lençóis bordados à mão, ou toalhas de mesa em renda! Ou toalhas cor de rosa, ou lençóis que parecem que estou a dormir numa salada de fruta ...
A minha mãe não sabia se havia de rir se chorar, reconfortei-a dizendo que podia dar essas coisas todas ao meu irmão mais novo. Mas ela não, estava decidida a entregar as coisas ao primeiro pinto a sair do ninho. Depois de usar o argumento do espaço, da decoração, do gosto, bla bla bla desisti. Cada argumento meu era uma facada na boa vontade das mulheres da minha família que esperam durante a vida toda pelo meu casamento que a meu ver as probabilidades de acontecer são nulas ou muito próximas disso. Quanto será que vale um naperon feito à mão no Ebay?

15/01/2009

3 noites, 3 filmes

Pois é, ando a meter a videoteca em dia, a aproveitar e ver aqueles filmes que ainda não tive tempo para ver ou que me passaram ao lado. Vá lá, até foram filmes interessantes.
Começa-se com o The end of the affair, uma recomendação da legend, que embora seja um chick flick tipo telenovela, tem uns twists e uns pontos de vista que nos fazem pensar. Ah e claro, tem a Julianne Moore com pouquinha roupa o que é sempre muito interessante.

Depois seguiu-se algo mais light, o filme Bolt em 3D, visto com a patareca, com óculos especiais e tudo. Uma história de putos para putos, mas que ainda me deixou de nó na garganta. Raios partam os filmes com cães! É pura chantagem psicológica.

Para completar o ciclo, vi o The fall, do mesmo realizador de A cela, com uma filmografia belissima, e uma história de ficar a fazer beicinho, não recomendado a deficientes de seratonina. Muito real e ao mesmo tempo muito fantástico, a actriz principal faz um papelaço embora não tenha mais que cinco anos. Vivamente recomendado!

12/01/2009

And So We Return And Begin Again…


Deu-me para isto, com esta frase que inicia a BD The Invisibles, a opus magnum do Grant Morrison, dou aqui início ao balanço da obra que foi 2008. Já disse várias vezes que 2008 foi o meu annus horribilis (assim soa a gay), que há algum tempo que não tinha passado um anito tão mau. Entre corridas para médicos e lutas com porcarias de medicamentos, problemas familiares e mortes de amigos, férias estragadas, vida amorosa instável e mais não sei o quê, foi mesmo um ano de meter medo ao susto.
Mas eu, sendo o pateta alegre que sou, tentando sempre ver o lado positivo das coisas se fizer as continhas de cabeça até nem foi tão mau assim!
Que interessa se passei três semanas em Agosto a vomitar as tripas! Vou ser padrinho! Duas vezes e meia! (acho que acabei de ouvir a minha carteira ganir) Há alguém neste mundo idiota o suficiente para pensar que vou ser uma boa influência na vida das filhas deles. Já não vai ser o primeiro claro está e o Filipe não saiu tão mal como isso, afinal toda a gente diz que saiu ao padrinho ao que eu sinto pena dos meus pais pelo terror que tiveram de aturar, mas não se pode deixar de dizer que o miúdo não é uma jóia!
Para além disso, ainda conheci pessoas muito interessantes, ajudei na edição de um livro (se bem que quase ia sendo fuzilado), ajudei a criar um grupo de espeleo, fizemos mais umas actividades catitas nos Pedras Soltas e arranjei uma carrada de projectos para este ano, que se prevê ser ainda mais ocupado que o anterior (se isso for possível). Projectos esses alguns que são sonhos já antigos, pensando bem o ano passado foi um ano em que se semeou tremoços, para este ano a sementeira de milho ser farta e abundante (eu adoro estas alegorias parvas).
Ah e a tampinha e o freakinho vão casar. Vai ser giiiiiiro! Este ano promete muito!

07/01/2009

Culto dos 60



Joan Osborne & The Funk Brothers - What becomes of the brokenhearted (original de Jimmy Ruffin)
Dedicado aos corações partidos.

05/01/2009

A passagem


Antes de mais espero que vocês tenham todos tido umas excelentes entradas e que o ano que aí vem seja ainda melhor que o que passou.
Por aqui a passagem de ano foi calminha, com o frio, chuva e nevoeiro que estava foi passado em frente a uma confortável lareira, acompanhado de bons amigos e de boa comida, já para não esquecer uma boa vinhaça. É claro que quem começa cedo, cedo acaba, e com uns copitos às 7 da tarde eram já 4 da manhã quando tínhamos todos arroxado. De destacar a reconfortante chouricinha assada às 3 da manhã antes de ir prá cama. Depois de um dia de trabalho de sexta que passou de forma bem lentinha para variar, sábado foi passado em bricolages de volta de casa, já que o senhor que veio instalar o resguardo do polibã (gosto desta palavra) e furou um dos tubos de água quente. Conclusão, tive de partir a parede para vir o canalizador tapar o buraco que o senhor fez, e só depois podemos colocar o resguardo.
Domingo, foi dia de encher a pança, como se já não bastassem todos os feriados, o pai da minha futura afilhada (sim, já tenho mais uma) decidiu fazer uma festa para o pessoal com o tradicional porco no espeto. Ou seja foi mais uma tarde de muita comida, muita cerveja e muita copa à mistura. E as mulheres ainda dizem que os homens são complicados, dêem-nos um baralho de cartas e umas Sagres fresquinhas que ficamos entretidos para o resto do dia!